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Ficção
Contos, narrativas, vozes literárias. A realidade vista de dentro, com toda a sua imperfeição e peso.


Violência paterna: o que fica depois do medo
A mão do pai é maior do que o rosto do filho. Isso é um facto anatómico e é também a primeira coisa que o filho aprende sobre a diferença de tamanho entre os corpos — que essa diferença pode doer. O que a violência parental ensina não é uma lição sobre o bem e o mal. É uma lição sobre quem pode o quê — e sobre quem não pode ir a lado nenhum quando descobre.
6 min de leitura


Férias da Páscoa sem o irmão: o que fica quando ele vai embora
Eram 10h17 quando ele começou a sair do carro. À sua frente havia um jardim que dava para um passeio que dava para o local onde seria a entrega. Não era longe. Pareceu longe. Há um barulho específico que uma casa faz quando falta uma pessoa. Não é silêncio — o silêncio seria mais fácil.
4 min de leitura


Pai e filha após doze anos de silêncio
Uma carta breve traz Leonor de volta à casa onde o silêncio durou anos demais. Em Bragança, um pai viúvo é obrigado a confrontar a omissão que feriu a filha e a perceber que há gestos tardios que não reparam o passado, mas recusam escondê-lo.
19 min de leitura


Cinco e Vinte e Três
Naquela sexta-feira de calor parado, quando a escola já se esvaziava por dentro, Leonor pensava apenas em fechar gavetas, alinhar papéis e sair. Mas a chegada de um antigo aluno, fora de horas e com um pedido impossível, abre no gabinete uma brecha mais funda do que a do expediente. Entre um carimbo, uma declaração improvisada e uma chave deixada sobre a mesa, o conto acompanha o peso discreto das perdas que não acontecem de uma vez, mas por acumulação de pequenos gestos falh
11 min de leitura


O que sobra de uma tarde
Era dezassete e quarenta e dois quando ele bateu à porta. Amélia tinha quarenta e seis entradas para verificar e uma certidão que não podia emitir naquele dia. O antigo aluno precisava do papel para segunda-feira, a mãe morrera em março, a entrevista era urgente. Ela conhecia o procedimento de cor. O que não conhecia — e recusou conhecer até ao fim — era a razão por que o gesto dele com o casaco lhe ocupou a cabeça durante quarenta minutos de trabalho que fez sem um erro.
7 min de leitura


A Sala Estava Quase Vazia
A Livraria Lello fechou às sete, como sempre, mas havia uma luz numa sala lateral no segundo andar. As janelas ficam no segundo andar, virada para a Rua das Carmelitas. Quem passa vê a luz. Dentro, doze cadeiras dobráveis, dispostas em meia-lua. Dez estavam ocupadas.
7 min de leitura


A Palavra Que Reduz
Entrei numa loja de livros usados no Chiado e encontrei um retrato antigo de um homem famoso. Não era o homem que me prendeu, mas o mecanismo: a pressa em transformarmos pessoas em palavras portáteis, mitos fáceis, certezas rápidas. Em Lisboa, essa redução tem salas, rituais e um silêncio cúmplice.
8 min de leitura


O advogado que aprendeu o mundo na cela
T. Kumar passou anos nas prisões do Sri Lanka e saiu de lá com uma fé particular no direito: não como pureza, mas como arena. Estudou em celas, tornou-se advogado, fugiu da repressão e encontrou nos EUA a plataforma para uma vida de advocacia internacional na Amnistia Internacional. Em audições no Congresso dos EUA e em fóruns da ONU, denunciou punições degradantes e julgamentos injustos, lembrando que a legalidade pode ser a máscara — e que a prova pode ser a resistência.
10 min de leitura


O Aliado Incerto
A relação transatlântica entrou numa fase em que a confiança já não é pressuposta, mas negociada. A pressão americana sobre a Europa — económica, simbólica e estratégica — revela uma mudança mais profunda: quando a coerção se normaliza entre aliados, a aliança deixa de ser um quadro estável e passa a ser um campo de testes. O problema não é a Gronelândia, mas o método.
7 min de leitura


O General Que Esperou Dois Anos Pelo Golpe Fatal
Chegou a Lisboa a 26 de abril de 1934, recebido com “vivas” no cais, e instalou-se no Estoril como quem entra numa antecâmara política. José Sanjurjo trazia a Sanjurjada falhada, dois anos de prisão e uma amnistia recente; trazia, sobretudo, a certeza de que a conspiração não tinha morrido com o fracasso. Entre 1934 e 1936, Portugal foi mais do que cenário: foi abrigo, rede e plataforma discreta de preparação. E, quando o golpe de julho de 1936 rebentou, Sanjurjo morreu em Ca
9 min de leitura


A Identidade - A história de Frédéric Bourdin
Frédéric Bourdin tinha trinta anos quando voltou a fazê-lo: entrou na vida de uma família como se fosse um filho perdido. Durante cinco meses, foi Nicholas Barclay — e quase ninguém quis ver o óbvio.
10 min de leitura


Vidro Fumado
Quando a visibilidade substitui o trabalho, a política transforma-se em palco. E um palco permanente não produz decisões — produz provas de presença.
8 min de leitura


Irmãos Importam
Irmãos não são apenas afecto: são um sistema de influência com impacto real na escola, na auto-confiança e nas oportunidades. Uma leitura essencial sobre família e desenvolvimento.
6 min de leitura


As melhores prendas não custaram dinheiro
Há prendas que não custaram dinheiro e ainda hoje se lembram. Este texto é um convite a contar essas histórias.
1 min de leitura


A Fuga de Cuba
Cuba esvazia-se sem estrondo, como um corpo que perde sangue devagar. Um texto sobre a fuga, o medo que muda de forma e os países que se constroem enquanto expulsam os seus.
9 min de leitura


A Ópera Espanhola Que Nunca Saiu de Casa
O Zé foi ver ópera a Espanha e descobriu que há coisas boas que não precisam de conquistar o mundo. Como o arroz de polvo do vizinho.
5 min de leitura


A Ópera Espanhola
O Zé conta como a ópera espanhola foi ficando em casa, teimosa e brilhante, entre zarzuelas, baleias futuristas e noites de Bartók em Madrid.
6 min de leitura


A cor do silêncio
Michelle Obama transformou o cabelo em território e o espelho em resistência. A cor do silêncio é, agora, a cor do regresso.
4 min de leitura


O Livro do Sal e da Cinza
Darfur volta a arder — e o mundo assiste em silêncio. Alberto Carvalho escreve sobre o espelho moral que a guerra nos devolve e a urgência de nomear o horror.
11 min de leitura


As coisas que os adultos esquecem
As duas irmãs do Caderno das Duas escrevem sobre o que veem no mundo dos adultos: a pressa, o medo, a distância. Um texto lúcido e terno sobre crescer e não esquecer o que é sentir tudo pela primeira vez.
2 min de leitura
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