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Ensaio
Textos de interpretação longa. Nascem muitas vezes de um facto concreto, mas ultrapassam-no pela reflexão, pela linguagem e pela leitura moral, política ou cultural do que acontece.


Alemanha Recusa Software da Palantir
A Alemanha não recusou apenas uma empresa americana. Hesitou diante de uma forma de vigilância algorítmica que reorganiza a suspeita. A questão europeia já não é só técnica: é saber quem ensina o Estado a ver.
8 min de leitura


Musk, SpaceX e a zona cinzenta da IA
A SpaceX tornou-se o centro financeiro menos visível do ecossistema empresarial de Elon Musk. Entre empréstimos internos, ligações à Tesla, ao X e à xAI, emerge uma zona cinzenta onde ambição tecnológica, capital privado e poder empresarial se tornam difíceis de separar.
7 min de leitura


A base secreta no Iraque e a guerra contra o Irão
O relato sobre uma instalação clandestina israelita expõe a logística da guerra aérea contra o Irão e a fragilidade da soberania iraquiana.
7 min de leitura


Guerra do Irão: 32 milhões sem voz em Islamabade
O nitrato de amónia viaja por navio. Quando o Estreito fecha, a estação agrícola perde-se. O PNUD estima que até trinta e dois milhões de pessoas possam cair na pobreza. Nenhuma delas tem assento em Islamabade. Esse custo não tem linha nos acordos que forem assinados.
5 min de leitura


Irão - O cenário perfeito foi perfeito uma vez. Desta não.
Trump viu na Venezuela uma regra. Esse foi o erro inicial. O que acontecera em Caracas era uma coincidência rara de circunstâncias favoráveis que não existiam em Teerão. O modelo exigia alguém semelhante a Delcy Rodríguez. A realidade entregou Vahidi e Zolghadr.
6 min de leitura


O país que não recebia armas tornou-se fornecedor dos que as tinham
A mesma guerra que reduziu o armamento à Ucrânia criou-lhe um mercado que não depende dos Estados Unidos para existir. O país que não recebia Patriot suficientes tornou-se fornecedor dos países que os tinham. O drone é o produto. A relação com o Golfo é o investimento.
5 min de leitura


O acordo existe. Trump é que não o consegue assinar
Trump só reconhece vitória quando o adversário aparece visivelmente derrotado. O Irão não assina o que pareça rendição. As condições para um acordo existem e são conhecidas por ambas as partes — o que não existe é uma formulação que permita a cada lado apresentar o resultado como vitória.
5 min de leitura


Guerra do Irão: o que as bases dos EUA não protegem
Guerra do Irão: o que as bases dos EUA não protegem. Quando o Irão fechou o Estreito de Ormuz em 2026, os países do Golfo com bases militares americanas descobriram que acolher uma base não equivale a proteção. Os Emirados foram os mais atacados. A hierarquia das alianças — com Israel no topo, os aliados do Golfo abaixo — tornou-se visível pela primeira vez. Portugal conhece este mecanismo desde 1973, quando as Lajes serviram a ponte aérea americana a Israel e o embargo árabe
8 min de leitura


Guardiães do Irão: por que a nova liderança é mais dura
Guardiães do Irão: por que a nova liderança é mais dura. Quando Washington eliminou a cúpula iraniana, esperava que o que sobrava fosse menos coeso. O que sobrou foi Vahidi — mandado de captura activo desde 1994 —, Zolghadr, sancionado pela ONU, e Ghalibaf, o rosto em Islamabade que não estava habilitado a ceder em nada. A decapitação não moderou o regime. Seleccionou o seu núcleo mais duro.
5 min de leitura


O que significa celebrar o 25 de Abril hoje?
A liberdade não desaparece sempre por rutura. Pode tornar-se cenário.
O 25 de Abril mostra hoje uma democracia ainda formalmente sólida, mas menos segura do seu sentido comum.
7 min de leitura


Violência doméstica em idosos: os 4.049 que o RASI não analisa
Em 2025, 4.049 pessoas com mais de 64 anos apresentaram queixa por violência doméstica em Portugal. O agressor é frequentemente um filho, um neto, um cuidador. A casa que devia ser abrigo na última fase da vida tornou-se o sítio do perigo — e o sistema de resposta não foi desenhado para esta porta de entrada.
4 min de leitura


Violência doméstica em Portugal: 61% dos inquéritos arquivados em 2025
Em 2025, 23.836 inquéritos por violência doméstica foram arquivados em Portugal — 61% do total. No mesmo ano, os homicídios em contexto de violência doméstica subiram de 23 para 27 vítimas. A ligeira diminuição que o Estado apresenta como progresso pode ser apenas menos fé no sistema.
4 min de leitura


O Cruzeiro do Sul como Infraestrutura
Quando João Faras se inclinou sobre um astrolábio de bronze na costa do Brasil recém-encontrado, estava a fazer algo que nenhum europeu tinha feito antes: medir o hemisfério sul com rigor suficiente para confiar nele. Produziu um relatório de trabalho. A história guardou a carta. O céu guardou o Cruzeiro do Sul — a constelação que Portugal usou para navegar, depois esqueceu, e o mundo transformou em bandeiras.
8 min de leitura


Tiro e a Guerra do Líbano: Ficar É um Argumento Político
A evacuação só é humanitária se houver um regresso garantido. Em Tiro, não há. Os que ficam fazem uma aposta a longo prazo sobre qual dos dois riscos é mais tolerável — o físico imediato ou o existencial diferido. O tecido social que a guerra desfaz não se reconstrói por decreto nem por financiamento.
8 min de leitura


Direitos de autor na era da IA: porque é que Hollywood negocia e África paga
Os modelos de IA são globais. As leis são nacionais. O poder de negociação está distribuído de forma que nenhum acordo bilateral consegue, sozinho, compensar. A mesma região cujos acervos culturais alimentam os modelos sem compensação já produz escritores que extraem rendimento desses mesmos modelos.
5 min de leitura


Os curdos, a guerra e a promessa que Washington nunca cumpre
Cada vez que Washington volta a olhar para as milícias curdas como alavanca regional, reactiva um padrão com mais de meio século: a promessa nunca é formulada de modo a poder ser quebrada — e é precisamente por isso que consegue repetir-se.
8 min de leitura


A fissura judaica americana: sionismo como identidade em colapso
O sionismo americano funcionou durante décadas como denominador comum — o código que dispensava negociação. Quando se tornou moralmente custoso para uma parte da comunidade, descobriu-se que não havia gramática para o que estava por baixo. Beth El não tem um problema de política. Tem um problema de linguagem comunitária.
7 min de leitura


Bondi, Roy Cohn e o colapso da independência judicial nos EUA
Trump não inventou a ideia de usar o Departamento de Justiça como instrumento pessoal — encontrou a convenção suficientemente erodida para o fazer sem custo imediato. O que Bondi deixa para trás não é uma procuradora-geral falhada: é a demonstração de que a subordinação total é possível, e o precedente para quem vier a seguir.
6 min de leitura


O que estava arquivado
Existe, no Arquivo Nacional Torre do Tombo, um fundo com o nome da polícia política que o produziu. O que contém não é apenas o registo de um regime — é o registo de uma gramática. Uma gramática de permissões que foram suspensas em 1974, mas não abolidas. O que está a acontecer na Europa, em Portugal, nos Estados Unidos, não é ruptura. É regresso. A diferença importa.
5 min de leitura


Chávez violou raparigas. O movimento que fundou protegeu-o.
Dolores Huerta tem noventa e cinco anos e esperou décadas para dizer que César Chávez a violou. Ficou em silêncio porque acreditava que a verdade prejudicaria o movimento a que dedicou a vida. O movimento concordou com ela. Isso não é uma anomalia — é o funcionamento normal de uma estrutura em que a causa se torna maior do que as pessoas que dela precisam para sobreviver.
7 min de leitura
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