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Caderno
Um espaço de textos longos e curtos onde o presente é observado com tempo. Aqui cabem ensaios, retratos, cenas, notas de leitura e memória: escrita que não corre atrás do imediato, mas procura compreender o que fica. O “Caderno” não é um noticiário; é um lugar de registo, reflexão e narrativa, feito para quem prefere pensar antes de concluir.


A Política Como Técnica de Domínio
A gestão da pandemia mostrou como a tecnocracia moderna se legitima pela promessa de controlo racional. A questão não é abandonar a razão, mas reconhecer os seus limites políticos.
4 min de leitura


A máquina que não obedece
A política moderna prometeu controlo racional. Pandemias, crises e clima mostram o limite: a sociedade não obedece como máquina. A falha é de promessa — e de legitimidade.
9 min de leitura


A Sala Estava Quase Vazia
A Livraria Lello fechou às sete, como sempre, mas havia uma luz numa sala lateral no segundo andar. As janelas ficam no segundo andar, virada para a Rua das Carmelitas. Quem passa vê a luz. Dentro, doze cadeiras dobráveis, dispostas em meia-lua. Dez estavam ocupadas.
7 min de leitura


A Palavra Que Reduz
Entrei numa loja de livros usados no Chiado e encontrei um retrato antigo de um homem famoso. Não era o homem que me prendeu, mas o mecanismo: a pressa em transformarmos pessoas em palavras portáteis, mitos fáceis, certezas rápidas. Em Lisboa, essa redução tem salas, rituais e um silêncio cúmplice.
8 min de leitura


EUA - O recuo do meme: poder, racismo e silêncio
Um vídeo com representação racialmente ofensiva dos Obamas foi partilhado num canal presidencial e, horas depois, removido após reação pública — incluindo de figuras do partido. A sequência “publicar, desvalorizar, apagar” não é um detalhe de redes: é um retrato do Estado quando a política se comporta como feed, e quando a responsabilidade se tenta diluir entre “meme”, equipa e silêncio.
11 min de leitura


O Silêncio da Primeira-Dama Americana
Durante vinte dias, a política surge menos como decisão e mais como preparação. Entre provas de roupa, reuniões discretas e gestos calculados, constrói-se uma narrativa onde o poder não se exerce por decreto, mas por enquadramento. O filme não explica Melania Trump — mostra o método através do qual a imagem se torna linguagem política.
3 min de leitura


A Primeira-Dama Americana e a Encenação do Poder
Não governa, não legisla, não decide — mas enquadra. A primeira-dama americana ocupa um lugar onde o poder não se exerce por autoridade formal, mas por imagem, gesto e coreografia. Neste espaço ambíguo, a política transforma-se em encenação e o silêncio ganha função estratégica.
3 min de leitura


O Cansaço da Autoridade
A aprovação desce para 37% e o número, visto num ecrã de telemóvel, já não provoca choque — apenas confirma um estado. O que se desgasta não é só a popularidade de Donald Trump, mas a folga do poder executivo num país que aprendeu a viver em conflito. Quando a confiança se retrai, governar não se torna impossível. Torna-se mais caro, mais rígido e mais reativo.
5 min de leitura


O Cartaz Fala Sozinho | Cartoon
Não acusa nem explica. Recorda. Um cartaz devolve ao espaço público uma frase antiga e mostra como a indiferença pode tornar-se programa político.
3 min de leitura


Quando a Métrica Chega Tarde
A pressão migratória na União Europeia não começa quando surge a classificação oficial. Começa antes, nos atrasos administrativos, nos processos acumulados e na diferença entre capacidade declarada e capacidade real. Este texto analisa como a métrica europeia chega tarde à realidade e como os sistemas se ajustam por fricção, não por estratégia.
5 min de leitura


A Presidência Não é um Troféu
Nesta segunda volta, o voto não decide só um rosto. Decide o que fazemos do cargo: árbitro discreto ou megafone de facção. Há um candidato que já anunciou não querer ser Presidente de todos — e isso transforma Belém num teste de resistência institucional. O país não está a escolher uma fotografia; está a escolher o tipo de silêncio, de pressão e de poder que aceita a partir de amanhã.
6 min de leitura


O vidro, o ecrã, o segundo antes da morte
Em Minneapolis, Alex Pretti, enfermeiro de cuidados intensivos, morreu numa intervenção com agentes do ICE e da Border Patrol. A morte foi filmada e multiplicada por vários ângulos. A prova não encerrou o caso: abriu uma guerra pela leitura. Num vídeo, Pretti segura um telemóvel; a arma é afastada e volta como símbolo. O conflito passa a ser quem manda no sentido do que todos viram — e no que fica fora de câmara.
9 min de leitura


O Aliado Incerto
A relação transatlântica entrou numa fase em que a confiança já não é pressuposta, mas negociada. A pressão americana sobre a Europa — económica, simbólica e estratégica — revela uma mudança mais profunda: quando a coerção se normaliza entre aliados, a aliança deixa de ser um quadro estável e passa a ser um campo de testes. O problema não é a Gronelândia, mas o método.
7 min de leitura
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