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Templo Maçónico de Santa Cruz avança para “Lugar de Memória Democrática”

Atualizado: há 4 dias

O Boletín Oficial del Estado (BOE) publicou a "incoação do procedimento" para declarar o Templo Maçónico de Santa Cruz de Tenerife como “Lugar de Memória Democrática”, um reconhecimento institucional que enquadra o edifício como espaço associado à repressão franquista após o golpe de 1936, segundo a fundamentação divulgada no âmbito do processo.


Vista ampla de Tenerife: montanhas íngremes cobertas de vegetação, luz dourada ao fundo e casas agrupadas numa encosta entre ravinas.
Tenerife ao amanhecer: um relevo abrupto, esculpido pela luz, que lembra como a memória também se escreve em pedra.


Templo Maçónico de Santa Cruz avança para “Lugar de Memória Democrática”


Em paralelo, foi anunciado um protocolo de colaboração entre o Ministério de Política Territorial e Memória Democrática e o Ayuntamiento de Santa Cruz de Tenerife, com o objetivo de coordenar iniciativas de preservação, estudo e divulgação e de iniciar um trabalho de localização e recuperação de fundos e materiais relacionados com a maçonaria canária que tenham sido espoliados durante a ditadura.


O que está em causa


De acordo com a informação associada ao procedimento, o templo — descrito como único em Espanha e construído de raiz para esse fim — foi, durante décadas, um símbolo urbano de modernidade e convivência cívica, antes de ser ocupado e desvirtuado após 1936, passando a integrar a máquina repressiva do regime.


A iniciativa junta-se a outros expedientes de memória já em curso nas Canárias, incluindo o da Colónia Agrícola Penitenciária de Tefía (Fuerteventura), referida como símbolo da repressão de pessoas LGBTI+ durante a ditadura.


Reabilitação recente e próximos passos


O Templo Maçónico foi recentemente reabilitado, após um investimento superior a três milhões de euros, e reabriu ao público.


Segundo dados citados no anúncio do processo, mais de 6.000 pessoas visitaram o edifício desde a reabertura, sinalizando interesse cívico e patrimonial crescente.


Entre as linhas de trabalho previstas no protocolo estão:


  • inventariação e divulgação de arquivos e fundos ligados a lojas maçónicas nas Canárias;

  • criação de condições para acesso e coordenação Inter administrativa com arquivos históricos do Estado;

  • atividades educativas e culturais sobre valores humanistas e democráticos associados à maçonaria e sobre a perseguição sofrida durante o franquismo;

  • preparação de projetos expositivos, incluindo uma mostra fotográfica permanente.


Também foi mencionada a intenção de recuperar materiais associados ao templo que possam estar em arquivos estatais, incluindo referência ao Arquivo de Salamanca, reconhecendo-se, ainda assim, que se trata de um processo potencialmente longo e complexo.


O enquadramento político local


À margem do anúncio, surgiu novamente o debate sobre a presença de simbologia franquista na cidade, em particular o monumento a Franco.


Questionado sobre a aparente contradição entre o reconhecimento do templo e a demora na remoção do monumento, o presidente da câmara afirmou que não se trata de resistência política, mas de exigência de cumprimento estrito do quadro legal regional, sublinhando que não tem dúvidas quanto ao significado simbólico da estátua.


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